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segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Ponto de fuga.

Foi em julho desse ano, em São Paulo.

Me disseram para olhar para o Oceano.
Quero dizer, me disseram para imaginar o oceano.

"Qualquer que seja a altura em que se observa, o horizonte estará na linha dos olhos"

É a linha do horizonte.

Se quiser perspectiva, aí você deve utilizar os pontos de fuga. 1, 2, 3 ou muitos pontos de fuga!

Muitos pontos de fuga?
Nunca pensei ouvir isso. Nunca pudera imaginar o quão fácil seria encontrar um ponto de fuga, quiçá múltiplos!
Não sei como eu não imaginara antes. Que óbvio.

É lógico que é no oceano que estão todos os pontos de fuga.
Não é preciso ser nenhuma encantadora de baleias para descobrir isso.

Basta olhar lá, na linha do horizonte.
É lá que estão os nossos pontos de fuga.

Desde então eu tenho procurado por eles, mas sempre me parecem muito longe.

Como faz pra chegar a linha do horizonte mais pra perto?
Como alcança ela?
Será que dá pra burlar a lei do espaço, ou então encontrar esse tal espaço curvo, e alcançar a linha?
Se der, fica um pouco mais fácil.

Uma vez alcançada a linha é só se equilibrar um pouquinho para caminhar até o ponto de fuga mais próximo.
E pronto.

Foi quando ele perguntou: "Onde está o ponto de fuga, turma?"

E eu respondi: no mar.

A turma riu.

Na hora do storyline, ele não hesitou: Marina se perde na linha do horizonte e não acha o ponto de fuga.


Passado o trauma, meses depois, resolvi devolver, a quem quer que seja o dono, as tais. 

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Quebra de dormência

Do desenrolar do que está guardado, surge um pequeno brotinho.
Para alguns, potência.

No brotar verifica-se a atualidade do que estava guardado.
Confere-se. Confronta-se.

E é bonito pensar que guardado, junto ao que seria futuro-broto, está tudo que o broto precisa e é. - o próprio broto, em forma anterior.
Na mudança. No antes, o meio.
E o broto, o depois.

Desvela-se do interior do abrigo o que estava em reserva. O que nutria.

Germina.

Quando em dormência, porém, há a espera. A latência.

Escarificar?  Calor? Frio? Fogo?
O que quebrará a dormência, dessa vez?

É que, sabe-se-lá-porquê, ela está a dormir.
Guardada no que a transformará no que virá-a-ser.
Imersa em um mar de memórias, que nutrem o seu por-vir.

Virá?




Dormência: período de vida no qual o metabolismo de um organismo é temporariamente suspenso. Muitas sementes entram em períodos de dormência. Algumas só germinam no frio. Outras no calor. Outras quando passam pelo trato digestório de algum animal. Outras quando em contato com o fogo. Para acelerar a quebra de dormência de algumas plantas cultiváveis, podemos escarificar as sementes.


E para quem não leu, eu gosto deste texto: http://lagartoleta.blogspot.com/2009/11/anemocoria.html

domingo, 26 de setembro de 2010

Sobre o calor.

Quanto maior é o calor, maior o grau de agitação das moléculas. 
Maior a tendência de que elas se distanciem umas das outras.
Se percam umas das outras. Na forma de vapor.
Quanto maior o calor, maior a distância?

Ah...então...foi isso?!

Para garantir, postei nos classificados. Do dia 18/09, no Correio.







domingo, 15 de agosto de 2010

Sobre um grande amor.

Pra terceira leva de #versificados desse ano, a sugestão foi falar sobre o dia dos pais. Sobre o pai. Os pais.

Aí balancei o berço das memórias, e algumas incríveis acordaram.

Lembrei de quando ele nos buscava na escola e fazia a proposta surpresa: pedalar até o "cu do pato", comer uma massa e dormir. No dia seguinte nos levaria para a casa da mamãe novamente.

Depois do "cu do pato", como ele chamava um lugarzinho que ficava há uns 10 km da casa dele, cansadas, ele nos faria uma massa para comer. E quando era hora de dormir, sem as nossas camisolas, que estavam na casa da mamãe, ele nos emprestaria camisetas.

Mas ele tinha mais de 1,80 m. E eu deveria ter no máximo 6 anos de idade. Elas ficavam tão grandes. Tocavam o calcanhar e passavam da dobrinha do braço.

Era hora de dormir e ele cantaria, alto: "dórminhapequena não vale a pena despertar!"

Eu sabia que tudo estava bem.
Que eu estava segura.
E que ali, bem ali naquele quarto, ao lado da minha irmã, sob a voz do meu pai, existia o amor.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Você viu?

Um sonho por aí, sem você dentro?
Eu vi. E não gostei.
Tem essa vida paralela, em que todos os dias você me recebe com um sorriso no rosto.
Faz algum tempo, porém, que você não vem.
E sinto,..., de longe eu sinto: faz tempo que não vou até você também.
Cadê eu no seu sonho?
Por que nunca mais entramos em contato? Ainda que onírico...........

Onde você se escondeu?

Quem pode me dizer?

Morfeu?


Publicado em: 17 de julho, 2010. Correio Braziliense.

Mais? #versificados

Participe!


segunda-feira, 14 de junho de 2010

12 de junho - Versificados




Os classificados do jornal são geniais.

Nos classificados dos jornais é onde estão as pessoas. A "gente". 
Tem itens pro vovô, pra vovó, pro papai, pra mamãe, pro nenê.
Tem itens pra quem não tem família também.
Tem itens pra quem acredita que a família tradicional é uma instituição social falida
Até pro animal de estimação tem oferta.

Tem de tudo.

Tem emprego rolando.
Desempregado procurando.
Cursos de capacitação em tudo o que há.
Tem tudo quanto é coisa pra vender: animais de todos os tipos, instrumentos musicais, carros de todas as categorias possíveis, preços e idades.
Tem declaração de amor. Tem convite para sexo.
Tem aviso de demissão para quem teve coragem de nunca mais voltar no emprego.
Tem anúncio de números de cheques e documentos perdidos. E os números daqueles que felizmente foram encontrados [mas que o dono talvez nunca descubra porque não lê os classificados].
Tem imóveis e móveis. E até pacote de turismo.
Tem coleções de selo e moedas. Brinquedos. Aparelhos eletrônicos de todos os tipos, por todos os preços.
Tem sessão de recados - a mais genial de todas! -, onde você pode literalmente mandar um recado, um 'eu te amo', um pedido de casamento, ou um 'vai a merda'. Tem gente que pede uma ajudinha.

No jornal, penso, o caderno dos classificados é quase democrático.
Mas somente quase.
Quase porque para ter seus interesses classificados em uma daquelas categorias você tem que pagar caro. Em reais mesmo.
Mas ainda assim, é o único espaço do jornal "de grande circulação" em que qualquer um pode pagar pra ver, se puder pagar.

Essa é a ideia do #versificados, eu acho.

Vamos pagar pra ter mais um espaço para ler as coisas que a gente gosta. Pra de repente, sentado na sala de espera do dentista, ou na hora do café no escritório, gostar ainda mais dos classificados - a sessão mais genial do jornal.

Foram nove #versificados neste último sábado no Correio Braziliense. Fora todos os ue apareceram no Correio do Povo (POA), na Folha (SP, no O Dia (RJ), no Estado de minas (MG) e no A Tarde (BA).
Outras informações clique aqui #versificados .

sexta-feira, 11 de junho de 2010

#versificados

Dia 12/06, nos classificados do Correio Braziliense (DF), Correio do Povo (POA), jornal O Dia (RJ), novas intervenções.

Entre no blog para conhecer melhor a ideia.


Enquanto seu sábado não vem...uma brincadeira no twitter.





sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Classificados

Na primavera passada eu colhi várias sementes de vento leste.
Elas parecem aqueles feijões que saltam.
Estão sempre na iminência de soprar.
O vento sai do leste em direção ao oeste.
E para aqueles que buscam o Oriente, elas não servem.
Sempre vão soprar na direção do des-oriente.
Se você anda muito bem orientada/o, é bom plantar algumas.

Hoje e amanhã, nos classificados do  Correio Braziliense.


É claro que eu só faço a entrega pessoalmente. Eu tinha que ser muito desorientada para mandá-las pelo correrio. É claro que elas não achariam o rumo.

Obrigada pelas eternas contribuições, professor @arautonho !