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segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Ponto de fuga.

Foi em julho desse ano, em São Paulo.

Me disseram para olhar para o Oceano.
Quero dizer, me disseram para imaginar o oceano.

"Qualquer que seja a altura em que se observa, o horizonte estará na linha dos olhos"

É a linha do horizonte.

Se quiser perspectiva, aí você deve utilizar os pontos de fuga. 1, 2, 3 ou muitos pontos de fuga!

Muitos pontos de fuga?
Nunca pensei ouvir isso. Nunca pudera imaginar o quão fácil seria encontrar um ponto de fuga, quiçá múltiplos!
Não sei como eu não imaginara antes. Que óbvio.

É lógico que é no oceano que estão todos os pontos de fuga.
Não é preciso ser nenhuma encantadora de baleias para descobrir isso.

Basta olhar lá, na linha do horizonte.
É lá que estão os nossos pontos de fuga.

Desde então eu tenho procurado por eles, mas sempre me parecem muito longe.

Como faz pra chegar a linha do horizonte mais pra perto?
Como alcança ela?
Será que dá pra burlar a lei do espaço, ou então encontrar esse tal espaço curvo, e alcançar a linha?
Se der, fica um pouco mais fácil.

Uma vez alcançada a linha é só se equilibrar um pouquinho para caminhar até o ponto de fuga mais próximo.
E pronto.

Foi quando ele perguntou: "Onde está o ponto de fuga, turma?"

E eu respondi: no mar.

A turma riu.

Na hora do storyline, ele não hesitou: Marina se perde na linha do horizonte e não acha o ponto de fuga.


Passado o trauma, meses depois, resolvi devolver, a quem quer que seja o dono, as tais. 

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

De ônibus.

Eu adoro viajar de ônibus.

Eu gosto do tempo que circula a viagem.

Na minha obsessão por listas, que já foi até mencionada, eu listo em papel e caneta.

E tenho assim a lista dos 10 principais motivos pelos quais as pessoas poderiam gostar das viagens em ônibus. A recomendação é de que se viaje sozinha, à noite e por no mínimo 10 horas. Vale a pena!

1) Se você vai sozinha, tem aquela ansiedade inicial: quem vai ao meu lado? Alguém que ronca? Respira alto? Que fala muito? Que nunca fala nada? Que não desce na hora que o ônibus para e te faz ter que dar um meio pulo desajeitado no meio da madrugada?

2) A saída lenta, o abandono devagar que deixa as pessoas, aos poucos, para trás. Acenando. Algumas choram.

3) Cada curva é sentida pelo corpo e embala um monte de pensamento. As alterações de velocidade são capturadas pelos sentidos e guiam a mente da gente. As curvas na estrada, à noite, embalam memórias e embolam sentimentos.

4) As mudanças de paisagens inspiram, ressecam o olhar, esfriam a cabeça, acolhem o coração. O Brasil é grande demais e diferente demais. Tem gente que mora na beira da estrada. Tem queijo e banana. Tem barraco. Tem araucária, soja, eucalipto, cerrado. Tem Biologia um monte.

5) Os barulhos sem dono no meio da noite são uma sinfonia disforme; tosses, espirros, sussurros, roncos. Às vezes, o celular que encontrou o sinal perdido na estrada. Às vezes gases intestinais e odores. E odores no banheiro. E toda essa diversidade de sons e odores trazem uma enorme lembrança do que estava um pouco esquecido: somos bicho gente, com barulhos e fedores.

6) As paradas pra esticar a perna. Para alguns um cigarro, quase desesperado. Para outros uma coca-cola, um café, um queijo quente. Eu gosto mesmo é do café doce e ruim. Pra lembrar que é da estrada, que é da viagem, da passagem, do indo. Comida com gosto de indo, com gosto de perna esticada. Momento de desviar o olhar para o que desvia na via, da via.

7) Uma pausa no tamanho do outros. E por algumas horas, quem sabe muitas, só você e você.

9) O tempo que corre diferente, mais lento, menos angústia, menos ansiedade. Dá tempo de tudo no mundo do pensamento. O pensamento tem tempo pra tudo. E a vida inteira se repagina, se replaneja, se repensa. E muitas decisões acontecem e desacontecem.

9) A sensação de ir. Simples e dada. Ela por ela mesma, sem necessidade de explicação. Ainda que, na maioria das vezes, haja a certeza do voltar.

10) Na mochila o que parece necessário para 17 horas: música, livro, banana passa, maçã fuji, lápis e papel. E o encantamento de precisar de tão pouco para acontecer tanto.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

De gota em gota, pinga.

Eis que, de gota-em-gota, pinga, há anos, um amor.
Há anos ele me pinga. Há anos me emaranha e me mareia.
Pinga no mar, meio turvo.
De tanto que há tanto que pinga, aos poucos, os monstros do mar se desfazem.
Nessa linha do horizonte, onde o barco costumava despencar, me vejo percebendo a curva.
Aprendi a decorar os monstros marinhos. Monstrus marinus.
E aos poucos a deixar a maré me embalar.
Sem marear. Só mar. Só ar.

Dos amores que vieram em correntezas fortes, pouco pesquei.
Eu tenho esse amor que me pinga.
E vem brotando do meu mar a cada instante.
Quem sabe os Monstrus marinus, muito em breve, liberem de vez esse amor que vem em ondas.

Quem sabe de tanto viver na água-mar, esse amor aprenda a evaporar.
E depois a chover.
Quem sabe ele me pingue um delicioso rio de água doce.
Em uma chuva bem fininha, livre de sal.

"O amor chove, não chove?"


segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Nas vésperas de partir - sempre!

Da "lista de coisas que mais gosto de fazer na vida" tenho viajar como número I.

De personalidade escapista, adoro arrumar as malas.
E fazer planos em papel.

Quando eu falo em viajar sozinha escuto o mesmo "ah, sério? tadinha."
E nunca entendo.

Sinto frio na barriga quando penso no café que vou tomar, sozinha, quando cansar de caminhar, sozinha, por entre as ruas.
E sinto frio na barriga porque sei que todo esse sozinha vem acompanhado de uma enorme companhia de mim.

Eu fico enfadada de tanto "outras pessoas" que carrego no meu cotidiano: durante a semana - "útil - nunca consigo ficar mais que duas horas sozinha e passo pelo menos 10 horas rodeada, sendo visto e pensada, por cerca de 40 pessoas. É assim que é ser professora de escola. E olha que eu gosto.

Nada como, nas férias, passar alguns dias fazendo "nada" aos olhos dos outros.

Algumas pessoas não podem entender o que é ficar feliz estando gripada, olhando a chuva que cai na Paulista, tomando um café com as costas levemente doloridas de tanto caminhar. Estando por cerca de três horas no mais absoluto silêncio.

A ausência da companhia permite a tranquilidade das decisões repentinas e silenciosas, tomadas com naturalidade tal que parece que foram tomadas há séculos. Como aquelas que foram tomadas no mesmo segundo em que meu olhar tocou o letreiro do cine Belas Artes, no meio da Consolação. E foi muito silenciosamente-rápido que decidi e pude entrar no cinema, comprar um espresso e um ingresso. E assistir, sozinha, o filme de 2003.

É isso.

Gosto das decisões tomadas tais quais um gole de café que pedi em um lugar qualquer, simplesmente porque olhei e escolhi, sem saber de nada antes. Sem saber se viria amargo, adoçado, meio frio, meio forte, meio sem graça. Sem prejudicar ninguém. Sem implicar nada em outra pessoa. Só em mim.

No meio do caminhar, do café, do sentar, do entrar e sair de estabelecimentos comerciais, parques e banheiros públicos, desvela-se o que andava escondido no furor da comunicação absurda e extrema que me ronda o dia-a-dia. O silêncio ensurdecedor da Rua Augusta me leva a um espaço que vem se tornando quase desconhecido, mas que eu conheço e reconheço há 27 anos e poucos meses. Gosto do silêncio dos carros, árvores, pessoas e máquinas da rua. Tornam-se trilha sonora pra uma introspecção tão necessária e bonita.

Silêncio na alma, tão abarrotada de barulhos internos, externos, mistos, contíguos.

"Precisa-se de silêncio para ir ao interior"

E quando estou onde estou sem ter aonde ir, sem necessitar dizer, explicar, decidir, torna-se indiferente meu contato físico com o momento. Passo a circular livremente por dentro da minha cabeça. Meus pensamentos alteram minha noção de tempo e se encaixam com o infinito. Surgem novas perspectivas. Desvela-se no silêncio um pouco do que sublimei por meio de tanta fala. A mente à deriva. O que escapa e desvia embaça as imagens e ideias.

Vem surgindo, aos poucos, o desespero.

E a necessidade de voltar a falar.

Um encontro marcado e volto, como sempre, volto a falar. Muito.

E então, uma nova lista se cria: a dos desafios.

Desafio n° 1 - Descobrir por quanto tempo posso desviar meu pensamento dos atos de fala.

domingo, 8 de agosto de 2010

Joaquim



A chegada do Joaca


Câncer é um signo do elemento água e tem a Lua como "planeta regente".

Eu penso que a história de um canceriano se faz assim:

Entre junho e julho os caranguejos fazem a festa.
Trazem presentes da água, para a gente que está tão enfadado de terra.
Trazem presentes da Lua, para a gente que está tão enfadado de Terra.
Eles caem da Lua diretamente no mar e, então, são resgatados por um caranguejo.
Os caranguejos, decápodas, carregam então, para fora da água, os pequenos recém-nascidos.
E os entregam a mães e pais que aqui esperam, com a seguinte mensagem:

"Por um mundo mais sensível: um pequeno canceriano".

Hoje, 08/08, é o primeiro dia dos pais do Joaquim. E do pai do Joaquim, como pai.
E amanhã ele completa seu primeiro mês de vida.
Já é um pequeno experiente.

Estamos felizes com esse novo canceriano no mundo.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Infalível.

É sempre assim:

apagamos as luzes e
ela começa a puxar o colchão,
por debaixo da cama,
afiando as unhas,
achando que não será detectada...
A gente ri.
E eu falo: tira ela do quarto?
Ele tira.

E a noite se deita com a gente.
E enfim se apagam as estrelas.

Tem início meu pesadelo.

Se ao meu lado um paiol se apaga,
e ao lado um isqueiro tenho,
que me falta?

Se perto do paiol, em frente ao isqueiro,
uma taça de vinho vazia,
e uma garrafa cheia ao lado da taça,
que me falta?

Se da cama eu alcanço o som,
o cd terminou,
mas tenho outros três engavetados de próximo, cheios de músicas tão boas,
o que me falta?

Se são 3:00 da manhã e quando sinto vontade de você,
te tenho dormindo aqui ao lado,
sei que posso te acordar a qualquer hora,
que você me receberá sorrindo,
o que me falta?

Se sei que de manhã, ao acordar,
tomaremos um café preto na padaria,
que o pão de queijo estará quentinho e
que o Sol vai nos receber sorrindo,
porque ele sempre ri em julho.e
sei que vou poder percorrer o dia lentamente,
demorando uma hora em cada segundo,
como quem está de férias,
porque de férias estou,
o que me falta?

Se na hora do almoço, amanhã,
nos falaremos e,
serão apenas alguns grunhidos de gracinha para dizer que gosta,
e ouvir de volta que é gostada em dobro,
numa harmonia quase musical,
o que me falta?

Se a tarde é toda minha,
porque a ganhei de presente, de graça,
e compartilharei com as águas do lago,
olhando ao longe a terra vermelha,
comendo uma maçã fuji perfeitinha, que não tem nenhum amassado [eca!],
o que me falta?

Se de noite, amanhã,
marcamos uma cerveja e
sei que elas estarão lá, infalíveis,
para comemorar as férias comigo,
porque é assim que elas são, infalíveis, as minhas amigas,
o que me falta?

Se sei que em poucos dias voo, sem acento, com assento,
para longe de aqui,
e se viajar é o que eu mais gosto de fazer na vida,
e os amigos me esperam,
e o Rio de Janeiro continua lindo,
e vou poder desenhar São Paulo,
o que me falta?

...a  falta de faltar algo,
porque parece que é na falta que eu me preencho.

Hoje ela me disse que eu não posso viver em uma bolha  flutuante olhando para o espelho.


Na hora só achei poético. Mas aí lembrei que ela é lacaniana.

Histeria?
Sintoma?
Estrutura?

Essa vida me dá vontade de dormir, para alcançar outras;
Dessa vida em que tudo está em ordem,
não me sobra nada.
Nem falta.
Tudo ok.
Quem sabe no dormindo o sonhando me tire do lugar.
E no acordado tudo continue assim por meses, meses que eu espero que durem anos.
Já que tá tudo bem.

sábado, 3 de julho de 2010

Da inutilidade de um amor qualquer.

Quase 2 da manhã.
Estar acordada com tanto sono já rendeu mais poesia.
Dentro da minha obsessão por listas, eu listo em pensamento o que quero pensar.
Mas pensar enjoa. Perdeu a graça.
Não consigo me concentrar mais em pensar você.

Olho alguma coisa de fisionomia sua que restou em JPEG.
Ouço um fóssil ainda meio fora do tom, em formato MP3, balbuciando letras que esqueceram o que tinham para me dizer.
E já não sai nada.

Esse amor já não dá mais poesia.

Tento pensar em você, mas me pego pensando que amanhã é domingo. Que haverá Sol. E que o julho de Brasília sempre abraça o Sol durante a tarde.
Penso que amanhã é domingo e eu combinei um café pra depois das 19:00. E um cinema.
Penso que amanhã é domingo e depois do cinema vai rolar uma cerveja e um misto árabe frio. Vou trocar o kibe cru por mais coalhada, e isso me concentra mais do que pensar em você.
Penso que amanhã é domingo e que nessa madrugada de sábado, meio ébria, tento resgatar a poesia que meu amor por você costumava render. Mas...esse amor, bem...esse amor, que me doía nas tardes solitárias de domingo, já não amanhece mais em mim aos domingos. Ele sequer tem força pra dormir em mim aos sábados.

Esse elástico, do qual são feitos os amores, é bem resistente.
Estica um bucado.
Você pode puxar - um pouco, médio, um pouco mais, muito, muito mais, e só.
Se puxar demais arrebenta.
Mas eu, a essa altura do campeonato, tento, em vão, esticar esse amor.
Mas ele já é um fragmento.

E eu continuo querendo te fazer importante agora.
Te fazer me fazer dizer importâncias.
Te importar para mim.
Mas acabo não me importando o suficiente.

Me sinto uma boba por deixar que você não me sirva sequer como matéria para poesia.
Onde foi que eu perdi o fio da meada?

Esse amor virou inútil.

Não que a inutidade seja menos bela, ou convidativa.
Mas poucos são aqueles que sabem manoelizar.
Inutilidades são delicadas, e só viram poesias quando cuidadosamente trabalhadas.
..se o meu amor por você tivesse epígrafe...evocaria Manoel de Barros, e diria:

" Nasci para administrar o à-toa
o em vão
o inútil."

Mas aí me lembro que foi ele quem disse que "poesia é a virtude de ser inútil". E se esse amor não me dá mais poesia, nem inútil mais ele é.

E agora?

domingo, 23 de maio de 2010

Mania de organização I

[Clique na imagem para vê-la em tamanho maior e conseguir ler.]

Listas e diagramas.
Calendários e tabelas.

Assim se organiza o dia-a-dia, as férias, as músicas, os livros e os amores de quem sofre da minha disfunção: obsessão por organizar a vida.

Isso deve ser fruto da minha "natural" desorganização mental, emocional, estrutural;

Hoje me vi sem conseguir organizar o pensamento de futuro. E aí me lembrei de uma estrutura para organizar as aprendizagens e colocá-las em ação. Eu aprendi isso no PDC de 2008. Nunca joguei fora.

Para o domingo era o que eu precisava.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Eu + Eles

1.

Quando eu falei pra ele que sou uma fraude, ele me retrucou que não, que sou apenas complexa.
E quando eu me defino como difusa e confusa, ele me diz que quero ter controle demais sobre mim.
Quando eu falei sobre as ideias dos outros, ele me chamou de dicotômica.
Se me penso contraditória, ele fala em redes, conexões, multiplicidades.
E se me penso múltipla, ele me chama de única.
Como são confusas essas versões que a gente inventa pro querer, e que o querer inventa pra gente.

2.

Um dia tinha tanta coisa entre a gente, que a janela do meu quarto embaçou.
Como pode, se a janela do meu quarto vai de parede a parede?
Mas embaçou.
E o que tinha entre a gente era tão imaterial quanto o que descreve o amor.
E existe ainda hoje.

3.

Se existe alguma explicação para isso, eu não a quero.
Depois de explicado, acaba.
Nenhum amor pode ser explicado. Podem, no máximo, ser intuídos, penso eu.
Mas lá do fundo da minha contraditoriedade eu penso: alguém me explica o que acontece no meio do meu eixo quando ele me abraça?
Meu eixo torce.

4.

E não consigo evitar dizer: gosto muito de você, sabia?
Mas eu falo com uma voz baixa e com pouca entonação. Pouca variação.
Assim, quem sabe, ele releve.
É que toda vez eu falo a mesma coisa.
sou repetitiva.
Mas quando eu me anuncio repetitiva, ele não deixa.
Diz que são as letras que se juntam de maneira equivalente, mas que cada vez é sempre cada vez.

5.

Eu falo que o futuro me dá medo.
Que não quero, e já faz tempo. Não quero nada com cara de amanhã.
E ele me diz que não precisa amanhã.
Assim como não precisa não ter amanhã.
E que o amanhã nem precisa de cara.
E assim me extrai um sorriso, e não consigo não puxá-lo pelo queixo.
O beijo parece poder conversar o dobro do que as palavras parecem poder fazer.

6.

Hoje ele me disse que eu só faço o que quero.
Perguntei se ele me acha egoísta. Ele disse que não.
Se me acha egocêntrica. Ele disse que não.
Se eu sou voluntariosa. E mais uma vez, não.
Aí eu pensei que para contar algumas histórias frequentemente nos faltam mesmo palavras.
E sinto vontade de debandar de uma vez por todas do mundo da razão.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Pelas barbas de Platão!

Já são quase dois anos de análise para tentar aceitar que o mundo das ideias, que tanto me fascina, deve ser descartado. Já andei por vários tópicos diferentes, mas a cada sessão, independentemente do tema, eu me descubro vivendo pendurada nas barbas de Platão.

Mas o que eu faço com a não-ideia, depois que deixar a ideia de lado? O que eu faço com a desideia?

Fico com medo do que existe, se é que existe, para além da ideia.

Qual a cor, a forma, o cheiro e o gosto?

Tenho medo de que desidealizar seja desmundar.

Final da noite
quase alcanço a ideia
o despertador toca

quinta-feira, 11 de março de 2010

O lado de lá de cada um

Fungos e bactérias são seres decompositores.
Eu tenho que ensinar isso de vez em quando. Pelo menos uma vez por ano em alguma série.

E eu digo: "imaginem se não existisse o processo de decomposição, teríamos que conviver com todos os cadáveres de todos os seres vivos que já existiram no planeta Terra."

E ele me pergunta, em seus 10 anos de idade: "Professora, por que quando as pessoas morrem e vão se decompor as pessoas choram?".

E depois eu dou essa aula novamente em outra turma. E as crianças divergem de mim. Não acreditam que os ossos também sofrem o processo de decomposição.
Mas eu ensino que sim, que demora muito mais, mas que os ossos também se decompõem.

E ele, em seus 11 anos, em alto e bom som: "Essa hora meu pai já foi todo decomposto então, ele morreu já tem uns 4 anos. Deve ter sobrado só osso."

Eu fico sofrida quando escuto essas coisas. E passo por elas pensando: sabe-se lá como é o lado de lá do meu aluno. E volto a pensar sobre a morte. E sobre os pavores que a morte provoca.

Nota mental de 10.03: aula de ciências = nó na garganta.

Por muito tempo eu estive convencida de que achava triste o viver. E eu sequer tinha duas décadas de nascida quando confrontei pela primeira vez esse torpor. Achava que era a vida que era triste.

Mas não. A vida nunca foi triste.

O viver, esse de passar entrecortando a vida que já está aí há tanto, esse viver, que não é perene, esse sim. Este pode ser triste. E por muito tempo foi ele quem me causou tantas náuseas.

Atribuía, precocemente, meu desconforto de viver à ausência de sentido que achava que a vida deveria ter.
E ouvia de meu pai que passarinho algum procura sentido em viver, mas todos vivem. Voam e cantam. Comem e dormem. Nessa época, tão remota, não havia compreendido ainda a grandeza dos pássaros.

Não faz muito que percebi que a vida é muito maior que a minha existência,  e que mesmo assim, isso não diminui o sentido do meu viver. Estou a cruzar o caminho da vida há vinte e poucos anos. Pouco o suficiente para aceitar pacificamente o despropósito da vida. O acaso, a contingência.

Não é desconfortável pensar dessa forma, e tenho sempre que me policiar para lembrar que as dificuldades e o peso da vida também não são dela própria, senão meus. Afinal, a vida, depois que eu terminar de passar por ela, vai ser a mesma. Ela simplesmente acontece.

Outro dia eu conheci uma plenitude bonita. Era sol e tinha um lago. Pensei em tudo que fiz e venho fazendo. E nos planos que ainda me faltam fazer. E nos que eu já fiz e estou esperando não-concretizar para sobrar espaço para fazer mais. E nos que eu quero concretizar de verdade ainda.

E aí tive o prazer de conhecer o medo de morrer.

Nada disso extingue a minha melancolia.
Ele insiste em dizer pelo telefone que minha voz é triste.
E outrora já me falaram que embora doce, meu semblante é tristonho.
Mas não.  Não é tristeza.

Minha voz não é triste.
Meu semblante não é tristonho.
É o meu jeito de perceber a vida que me pinta de um jeito que para alguns remete à tristeza...mas que em última instância é só uma humildade perante o resto, que é o todo, porque o resto, do todo que eu inventei, sou eu.

Me lembrei de quando li o Borges dizendo que a angústia de morrer é saber que a vida vai continuar sem você. Do ponto de vista filosófico, talvez isso seja uma ignorância. Mas do ponto de vista da minha intuição, é isso. A vida, desde que se iniciou, sempre continuou.Vai continuar sem mim. O chato é que parece que ela não nos dá tempo de fazer quase nada.

Pensar isso tudo me faz ter saudade de mim.

E penso em Mersault, quando Camus o fez ter medo da morte pela certeza que a ele ela traria, a certeza de que sua vida foi consumida sem ele. Me remeto a Mersault e tenho medo. E aí antes de dormir, procedo ao ritual que adotei mais recentemente: ter a certeza de que venho consumindo doses exageradas de um viver propriamente meu, todos os dias.

"Know that one day I must die/ I'm alive..."

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Das coisas que o youtube pode fazer por você.

Entre tantos tutoriais do youtube, achei alguns sobre trico.
E lá fui eu aprender.
Achei muito bonito o fazer trico, do verbo tricotar.
No sentido restrito do termo.
A linha passando de uma agulha a outra, enrolando, puxando, e fazendo uma malha.

E tem tantos pontos de trico.
E tem tantas cores de lã no mercado.
E tantos formatos possíveis de fazer o trico.
E tanta coisa pra se fazer [..de meia a roupa para árvore].

E aí pensei na vida como malha de trico.

Tricotando as pessoas.
As ideias.
Os trabalhos.
Os amores.
E passando de um lado ao outro da agulha, amarrando, puxando, esticando.
Virando malha.

Às vezes a gente erra o ponto no trico. Fica um buraquinho delator na malha.
A Tahiná disse que o buraco no paninho de trico é bacana, porque reflete a humanidade que há no tricotar...já que errar é humano.

E no trico da vida é assim também. Às vezes também erramos o ponto....e deixamos buraquinhos na malha.

Alguns buracos a gente volta pra arrumar porque tá no início da carreirinha de linha.
Outros a gente só percebe quando já encompridou demais o paninho. Dá preguiça de voltar.
Ou simplesmente não vale a pena, mesmo.
O André então me disse que nos buraquinhos podemos pregar botões, pra disfarçar os erros e dar uma cara descolada pro trabalho.

Na vida também, né? Podemos disfarçar os buraquinhos de várias maneiras.

Passaram a aplicar o termo tricotar pra fazer referência a certos tipos de bate-papos entre pessoas. Geralmente usado pra se referir a conversas entre mulheres.

Achei legal pensar nisso e imaginei que o meu próximo projeto no CEF São José pode envolver trico de lã, trico de conversas e trico de vidas.

Se o projeto anterior foi "Histórias de vida penduradas em cordel", talvez o próximo possa ser: "Vidas em trico: pontos, malhas e buraquinhos".

De repente eu e as alunas conseguimos conversar sobre nossas vidas, e meu projeto do corpo [caso seja aprovado] tenha um pontapé inicial.
Espero que faça sentido.

No mais, mantenho minha admiração pelos tutoriais do youtube. Pelo trico. E agora, mais recentemente, pela vida. E pelas garotas do projeto knitta, que encapam árvores com trico.

Agulhas e linhas
costurando segredos
num cobertor de lã

domingo, 24 de janeiro de 2010

Tirania



Tem alguns sonhos que deixam a gente meio mole.
Daqueles sonhos que nos primeiros momentos do pós-sono deixam moles as mãos, os joelhos e as batatas das pernas.
E quando a gente percebe que era sonho (e não avatar!), a respiração dói e fica difícil. Temos que nos concentrar bem pra não sobrecarregarmos nossos pulmões.
Uma doce melancolia lastreada em algo que não é real nos dá vontade de voltar a sonhar.
E aquele suspiro sem razão de ser, que não quer dizer muito mais do que o que diz, toma conta do nosso "Bom dia".

Sem pedir licença, esses sonhos trazem para o coração o que já quase nem existe na razão.

E eles nunca pedem licença.

Ainda tão pra inventar alguma coisa mais tirânica que os sonhos....


sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Concentração em fuga

Às 21:04 em ponto aperto o mosquito que está sobre a mesa contra a capa do meu caderno.

Foi sem querer, eu juro! Jamais escolheira matar um mosquito assim: na minha mesa, com a capa do meu caderno bonito e novo. Meu caderno homenageia o pequeno príncipe, oras! Eu não insultaria o pequeno príncipe por tão pouco....

Mas ele era tão frágil e pequeno que o meu caderno, embora fosse, nem precisava ser de ´capa dura`.

"Morreu", pensei baixinho.

E foi isso.

Ele morreu no auge da minha concentração, levando consigo um pedação dela.

Pensei no epitáfio. "Aqui jaz um mosquito acadêmico".

Fitei os olhos mais uma vez no pequeno cadáver para depois devolvê-los ao texto que estava em minha frente e esboçava um leve ciúme.

Não consegui me desfazer do corpinho do mosquito.
E comecei a alternar: olhos nas letras, olhos no mosquito. Olhos nas letras, olhos no mosquito. Olhos nas letras, olhos no mosquito. Até que, para tristeza do meu companheiro texto, o mosquito esboçou um pequeno movimento.

Meio lento, parecia bêbado. Começou a se arrastar sobre o vasto-mundo-Raimundo, que naquele contexto era só uma mesa verde de biblioteca.

Para mim, era a própria ressurreição do mosquito. Da morte para a vida.

Meu coração ficou dividido.E minha fidelidade infiel não me deixava deixar o texto. Muito menos o pequeno mosquito.

E comecei que olha daqui, lê ali. Lê ali, olha aqui.

...Lakatos, mosquitos. Investigação-ação, mosquito. Habermas, mosquito. Dialética, mosquito. Ciências, mosquito.
E depois...
...Asas, texto. Patinhas, texto. Voar, texto. Vida em miniatura, texto. Fragilidades, texto. Morte, texto.Ressurreição, reencarnação, religião, ideologia, ciência...

Putz, ciências!!

Já são quase 21:40 e eu não mudei de página. E pra piorar: esqueci o que dizia o que eu estava lendo.

Pra piorar de novo: vou precisar esperar a ressurreição da minha concentração...a passos lentos e meio bêbados.



....porque ela é assim...dura não mais que o tempo que tem de fugir de mim. É delicada, como um mosquito de biblioteca. E frequentemente se faz moribunda frente a capa do meu caderno.

sábado, 26 de dezembro de 2009

Das borboletas .

Hoje elas estão enlouquecidinhas.
E vestem as cores mais alegres: amarelas, vermelhas, laranjinhas.
Tem algumas que são brancas.
Estão num bater de asas bem veloz, como se com isso pudessem aumentar a velocidade do meu carro. E chegar mais rápido.
É que sabem que após 1200km estarão no Rio de Janeiro.
Batendo asas em outros ares.
Engraçado que esses ares elas já tanto conhecem...e sempre agem como se fosse a primeira vez.
Deve ser por isso que é sempre inexplicável a sensação de "estar indo" para lá...




quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Me conta de novo sobre seu anel?

Depois de tanto tempo distante, hoje, mais uma vez, eu fui observada pelo chorante.
Pelo Miles. Pelo trem das onze.
E dessa vez, além dos três, da sua bateria, dos seus dois berimbaus, e do tamborzinho de plástico, da guitarra, do violão, do baixo, das flautas de bambu, de madeira, da de cobre e das de plástico, e além daqueles montes de cabos espalhados pelos sofás, tinha um que era novo: o trompete. Agora você também tem um trompete.
Fui observada pelo seu trompete novo que emitiu um som ainda tímido, me dizendo que eu o deixava nervoso.
E eu deitei no carpete, como fazia quando criança na casa de uns amigos que eu tinha.E abracei uma almofada.
Você logo deitou ao meu lado, claro.Tinha hoje o olhar sereno, mas ainda levemente vago.
E passeei com as mãos pelos seus cabelos, lisinhos e fininhos, enquanto observava novamente o leão, o trem das onze e as bailarinas na parede.
Hoje o mendigo punk não estava lá. Nem a pintura que você fez da sua ex-namorada. O elefante...é, esse você me deu, então também não estava lá. E no sofá, seu skate velho. E dessa vez o novo, que eu não conhecia. Acho que esse é o mais bonito que você teve. Sorri sozinha admirando a familiaridade que tudo aquilo tinha pra mim, e pedi:

"me conta de novo sobre o seu anel?"

Mas eu já havia pedido isso várias vezes hoje, e então você disse: "não, já chega".
E na mesma hora eu entendi.
Essa longa viagem, do Sol à Terra, não tem sido fácil, não é mesmo?
Já temos algum tempo nessa nossa vida meio doida, com várias viagens que nos afastam e aproximam do planeta, dos planetas, das pessoas e um do outro.
E há vários anos esperamos, sem sucesso, voltarmos de nossas viagens.
Nunca voltaremos. Mas estaremos sempre aí. Cada um na sua rota.
E estaremos sempre sozinhos, porém muito bem acompanhados.
Bom retorno, meu amigo!

domingo, 13 de dezembro de 2009

Quem foi?



Ao menor sinal da sua presença, elas voam.
Quando o telefone toca o MP3 que escolhi para quando você me chamasse, elas voam.
Quando meu telefone celular acusa uma mensagem e eu penso que pode ser você, elas voam.
Quando é dia de te encontrar e a hora se aproxima, elas voam insandecidamente.
E quando eu finalmente te vejo despontar no horizonte, elas voam tanto que chego a engasgar, porque  elas saem do estômago e vão até a minha garganta.
Aí eu te abraço antes de dizer oi, para dar tempo de engoli-las. E, aos poucos, elas pousam e descansam.
Elas são tão pontuais. Queria saber...
quem foi que amestrou essas borboletas?

domingo, 6 de dezembro de 2009

Insônia virtual em terceira pessoa.

Naquele mesmo modelo: tonta de álcool às 4 da manhã. E muito inspirada. Com fome de arroz integral gelado com shoyu e vontade de ler tudo que há de mais brilhante na internet. Todos os devaneios oníricos possíveis hospedados nos sites de blogs que recebem o apelido de favoritos. E Demetrios Galvão nem imagina como será visitado essa noite. Entretanto, é pouca a paciência e menor ainda a concentração. Muitos sentimentos que estavam dormindo afloram e a última vez que a criatividade esteve tão vívida lhe custou uma baita dor de cabeça atribuída, injustamente, ao último chope da noite.


Entre um clique e outro, acessará todos aqueles blogs que segue fielmente em busca de um poema que esteja saindo do forno, que tenha sido publicado agorinha por mais um insone-etílico e que vai completar o espaço no peito que surgiu depois dessa noite que mais pareceu um coito interrompido.

Seguidora fiel de N blogs, como a maioria das seguidoras fiéis, não conseguirá se concentrar em 2/3 dos textos e logo clicará novamente em todos os textos previamente lidos na última noite etílica. Esses que ela já conhece, já gostou, já elogiou e até pensou "poxa, podia ter sido eu quem escreveu esse treco..". Mas que sempre quer ler outra vez porque parecem resumir tudo em poucas linhas. E tudo agora tem um formato meio torto e uma cor meio turva. E se pedir pra que faça o 4, tudo certamente se estabacará no chão. Mas precisa ler. Alguma coisa deverá se encaixar nesse estado meio letárgico, meio ansioso, meio romântico, meio solitário.

E serão muitos os MP3s desenrolados nessa solidão construtiva que transforma todas as músicas em poesia e o frio da noite em brisa existencialista  - daquelas que dão vontade de partir deixando um bilhete emocionado. A lastfm dos amigos nunca pareceu tão frutífera. E Mateo Messina nunca pensou que seria motivo de repeat.

A noite foi boa, mas parece que essa é a melhor parte. Essa parte desfrutada por ela, com ela, pra ela. Que é só dela. Num intimismo que se confunde com individualismo proporcionado pelo silêncio da casa que, durante o dia, esteve tão agitada. E ela que não quer que ninguém tenha nada com isso. E agora ninguém tem mais nada com isso mesmo. Ou pelo menos, agora, parece que ela já não se importa. Mas se importa sim, porque já até aprendeu a controlar o resultado possivelmente desastroso disso tudo: a essa altura do campeonato, gastará suas melhores metáforas em um email romântico contra-orgulho que, dessa vez, assim como na anterior, não será enviado. Será dignamente salvo na caixa de rascunhos de forma que, amanhã, descabelada e sóbria, ela possa suspirar aliviada e postar em seu Twitter mental: "Maturidade é beber gim, cachaça e cerveja e ainda assim manter o autrocontrole". Aquele e-mail, muito em breve, será matéria de poesia. E isso bastará até próximo encontro.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Atestado médico.

Há muito não ficava assim: sem trabalhar e com a obrigação do repouso. O repouso por obrigação, de início, parece enlouquecedor. E depois ele vai acordando o que a gente deixa adormecer no dia-a-dia do dia-a-dia. É o dia-a-dia que é, na verdade, enlouquecedor. E isso pode parecer clichê, mas eu juro que só me dei conta agora.

É porque tem vários tipos de se dar conta. Tem o se dar conta no pensamento, o se dar conta no corpo, o se dar conta na alma, o se dar conta da boca pra fora.... O se dar conta holístico tem também, e é esse que me ocorre agora. Na alma, no corpo, na mente, na boca pra fora e pra dentro, depois de dias deitada, toda instância de eu possível percebeu que um atestado médico usado com louvor pode ser mágico. Eu falo "com louvor" porque aquele atestado médico que te permite sair de casa e dar um rolé, beber, fumar e namorar, pode ter seus mil encantos, mas não funciona como um retiro.

Enfim...hoje me sinto no pós-retiro. Voltei a trabalhar e já até estou desfilando minhas bochechas gordinhas por aí, levemente esverdeadas, diga-se de passagem. Eu que já ando com a pele amarelada por execesso de sucos de cenoura-beterraba-e-alguma-coisa-diferente-da-geladeira, tenho o diferencial de desfilar uma face verde-amarelada por aí esses dias. Se você tiver sorte e me encontrar, vai ver que coisa linda. Quase uma devota da bandeira.

Há tempos não dormia tanto. Há tempos não me dedicava à arte de espiar a chuva da janela com tanta devoção. Há tempos não ficava tão calada mordiscando os passos em falso que dei nos últimos muitos anos da minha vida. Há tempos não ficava tão calada dando pinceladas de tinta colorida em todo o modelo de vida que adotei nos últimos poucos anos da minha vida. Há tempos não parava pra pensar que ainda me falta muita vida pra me preocupar com pincéis e passos em falso. Há tempos não ria tanto, e justo agora que  não podia rir. Há tempos não me sentia a filhinha da mamãe que merece sopinha fria na cama. E a irmã mais velha que ganha um purê em pleno feriado. Há tempos que há tempo que há tempo que há tempo. E há muito tempo ainda, e provavelmente, muitos retiros. Mas os sisos eu já tirei todos. No próximo, quem sabe, vou ver baleias na Patagônia.

Se eu for ver baleias na Patagônia, eu vou chorar. E chorar foi o único item do roteiro-do-retiro que eu não obedeci. Até tentei assistir uns filmes tristes, mas não rolou. Ah!!! Mas....vendo baleias, tudo muda. Muita frieza não chorar vendo baleias. E, até onde me lembro, não sou lá dessas pessoas que se pode chamar de fria.

É. O atestado com louvor acabou. Agora vou usar os últimos dias de atestado para me encantar com a vida de quem pode sair pela noite durante a semana.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Ainda sobre o escafandro.

Continuei pensando.
Essa metáfora, não sei. O escafandro não tem como objetivo propiciar que você conheça novos lugares? Se sim, então ela não é boa para o filme.

Independentemente disso, presto uma homenagem. Do Liniers a Jean-Dominique Bauby, intermediado por mim.